Reabilitação Neurocognitiva. O Método Perfetti chega a Fuerteventura​.

Texto Mauro Cracchiolo e Giorgia Vitiello.
Fotos Clínica Principal

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Na Clínica Principal há uma terapia muito interessante, no campo da fisioterapia, chamada “Método Perfetti”. Esta terapia inovadora e exclusiva aqui em Canarias, chegou a Fuerteventura através de Mauro Cracchiolo, fisioterapeuta especialista em reabilitação neurocognitiva. Fizemos algumas perguntas.

O que é o “Método Perfetti”?

É um método para reabilitação que nasceu na Itália no começo dos anos 70, por pesquisas realizadas pelo professor Carlo Perfetti (neurologista, psiquiatra e responsável por tratamentos de reabilitação) e seus colaboradores. Na Espanha e nos países da América Latina esta terapia é conhecida pelo nome do seu criador, mas seu nome real é Reabilitação Neurocognitiva.

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Este tipo de reabilitação tem como objetivo a recuperação qualitativa do movimento e das ações do paciente. Não se foca então na simples recuperação do movimento, que até se pode obter parcialmente de maneira espontânea, mas sim na recuperação do movimento melhorado e correto.

É importante destacar isso porque, durante muito tempo e frequentemente, dentro da reabilitação tradicional considerou-se acima de tudo o aspecto quantitativo da recuperação, que se refere ao incremento da força e da resistência. O que leva o terapeuta a se enfocar sobretudo em que o paciente volte a se movimentar com força ou caminhar longos trajetos, subestimando que pode fazê-lo de forma aproximada, ou seja, ativando mais músculos dos que são necessários, ou com compensações que inevitavelmente no futuro pode levar a outros problemas como contraturas, dores etc.

Devemos ressaltar que na reabilitação neurocognitiva, é muito importante que o paciente volte a movimentar-se de maneira adequada, recuperando os aspectos quantitativos e ao mesmo tempo qualitativos do movimento, o que implica na recuperação de todos aqueles mecanismos que permitem organizar um movimento apropriado às diferentes atividades executadas pelo paciente.

O que significa Reabilitação Neurocognitiva?

Na nossa cultura o movimento é considerado apenas do ponto de vista executivo por tanto, para a recuperação, geralmente coloca-se num primeiro plano o músculo, a articulação ou a força.

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Porém, desta forma se omite a importância da conexão que o corpo tem com o cérebro. De fato, além de ser uma estrutura executiva, o corpo é uma estrutura receptiva que constantemente envia informação ao cérebro, este processa a informação proveniente dos músculos, articulações, pele etc. e a utiliza para organizar um movimento adequado em relação à intenção que a pessoa tem de fazer.

O movimento do ser humano portanto, é o resultado de uma complexa atividade cerebral, onde a percepção e outros processos cognitivos tem uma função fundamental.

Quando alguém adoece e apesar do seu estado que pode ser grave (uma contratura depois de um jogo de futebol ou um AVC que afeta diretamente o cérebro) sempre se produz uma desorganização que compromete a conexão entre a atividade cerebral e movimento, guardadas as devidas diferenças.

Por exemplo:

– Um paciente com uma lesão traumática ortopédica tem problemas de má organização do movimento relacionados a uma específica alteração da informação proveniente dos músculos, da pele ou das articulações.

– Já o paciente que sofreu um acidente vascular cerebral (AVC), tem problemas cognitivos que podem ser de atenção ao corpo (como nos casos de Heminegligência espacial), de planejamento motor (como nos casos de Apraxia ou Parkinson), ou de sensibilidade (como nos casos de Hemiplegia ou Esclerose múltipla).

A Reabilitação Neurocognitiva, com exercícios específicos, favorece a reorganização desta relação entre atividades cerebrais e movimento do corpo para a recuperação qualitativa do movimento.

E para quem é o Método Perfetti?

Esta terapia auxilia aquelas pessoas, tanto crianças quanto adultos que sofrem de maneira crônica ou aguda uma lesão neurológica de qualquer tipo (AVC, traumatismos cranianos, lesões nervosas, lesões degenerativas, como Parkinson, Esclerose múltipla ou Esclerose lateral amiotrófica- ELA), lesões ortopédicas (fraturas, lesões nos ligamentos ou musculares) e dor crônica.

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As crianças também podem fazer?

Sim. Aplica-se, por exemplo, nos casos de transtornos do desenvolvimento, paralisia cerebral , problemas traumatológicos ortopédicos ou algumas síndromes pediátricas como osteocondrodisplasia.

E como é o tratamento?

O tratamento reabilitador é programado sempre levando em consideração o tipo de lesão e os problemas que apresenta cada paciente. Consiste em exercícios durante os quais, os pacientes enfrentam problemas que só podem resolver mediante a percepção do corpo.

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Para simplificar, pede-se ao paciente que ele reconheça, por exemplo, com a mão superfícies de diferentes texturas, com o pé esponjas de diferentes densidades, realizar várias posições ou trajetórias com a perna; tudo isto sem a possibilidade de ver. Para poder realizar isso, o paciente tem de ativar processos cognitivos como a atenção ao corpo, a percepção e o controle dos elementos da patologia como a irradiação ou a contratura muscular, e ativar o movimento correto.

Há diferentes tipos de exercícios com diferentes níveis de complexidade.

Geralmente se utilizam acessórios especiais que se denominam “subsídios” ou seja, objetos específicos que permitem aos pacientes interações específicas.

Tradução: Maria Teresa Cabezas Urbano

 

Quem quiser ver na íntegra o original acesse o link:

http://mipueblofuerteventura.eu/index.php/salud-y-belleza/item/912-rehabilitacion-neurocognitiva-elmetodo-perfetti-llega-a-fuerteventura#

Método Perfetti, mais informações!! ;)

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O Método Perfetti nasceu na Italia nos anos 70 com o Neurologista Dr. Carlo Perfetti, que estudando a reabilitação neurológica praticada entendeu que deveriam-se buscar novos caminhos via os processos neurocognitivos .

Este método vem se espalhando pelo mundo através de profissionais que vem estudar no Centro de Estudos Villa Miari, em Santorso, Italia.

O Dr Perfetti não está mais presente devido a um AVC ( ironia do destino) ocorrido ha poucos anos, que o impossibilita de continuar à frente da escola/clinica.

Continuam com seu trabalho suas discípulas diretas – Dra. Carla Rizzello, Dra Franca Panté, Dra Marina Zernitz e a fonoaudióloga Dra Anna Maria Boniver.

Junto delas estão os fisioterapeutas que atendem e os residentes que estão se especializando.

A Clinica Villa Miari pertence ao governo regional (“SUS”) do Veneto. Dispõem de apenas 10 vagas no regime de internação, que são preenchidas por pacientes da região – de acordo com as normas locais.

Abrem-se 2 vagas para estrangeiros, porém em regime particular.

O custo gira em torno de 200/250 euros por dia, com 3 horas de fisio mais 1 hora de fono, incluindo refeições, medicamentos, enfermagem, acompanhamento medico.

Não é fácil conseguir vaga, porque vem pacientes de toda europa.

Em tempo: Estamos organizando de levar o curso básico ao Brasil para fisios. Com isso esperamos despertar o interesse e o método chegue até nós.

Coloquei abaixo alguns links (em espanhol inclusive) que tem explicações sobre o método, conceitos, alguns exercícios.

E também os links das clinicas que estão mais perto do Brasil – Argentina e Uruguay, além de outras que já estão usando o método pelo mundo.

 

URUGAY:

http://rehabilitacionneurocognitiva.com.uy

 

ARGENTINA:

https://www.facebook.com/PerfettiBuenosAires/

 

ITALIA:

SANTORSO

http://www.riabilitazioneneurocognitiva.it

PISA

http://www.riabilitazioneneurocognitiva.it/centro-studi-l-s-vygotskij/

 

ALEMANHA:

https://www.perfetti-therapie-koeln.de

 

JAPAO:

https://ctejapan.com/

 

Banho dos deuses

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Banho. O que é um banho? Já parou para pensar?

Banho de sal grosso. Banho de sol. Banho de loja. Banho de sangue. Banho de chuva. Banho-maria. Banho de gato.

Dar um banho. Levar um banho. Banho de água fria. Metáfora? Literalmente!! L

O meu corpo recebe água “morninha”, jogada por duas mulheres. Cada uma pega um pano com sabonete e começa a esfregar tudo.

E aí, pelada, deitada na cama com colchão de plástico (era azul), a água escorrendo pela cama, o ar condicionado no talo, bombando em cima de mim. Morrendo de frio! Onze da noite.

Quem é o insano que faz isso? É um banho no inferno?

Não, é um banho no leito. No hospital.

Eu passei 8 dias sem lavar o cabelo, que bosta!

Banheiro? Não tem! Nem na UTI, nem na semi. Dessa parte não dá para falar! :/

Foram 8 dias nessa tortura…

Aí, delicinha, um banheiro, um chuveiro!!!

Banho gostoso, chuveirinho, shampoo, lavando o cabelo… ai que ótimo. Tudo bem que eu estava sentada em uma cadeira de rodas, mas era BANHO! Estava valendo!

VAZA!

Eu lembro do calor da praia… o sol batendo… daí eu escutei um “pi pi pi pi”. Abri os olhos e vi um aparelho grande… eu sussurrei alguma coisa tipo: “ME TIRE DAQUI!”. Os médicos falavam: “Calma, vai dar tudo certo”. E colocaram 2 stents na minha carótida esquerda. :/

O meu caso era grave. A carótida é uma artéria super importante para irrigar o cérebro.

Eu dormi, e acordei com os meus pais e meu namorado lá. Pensei: “O que foi que eu fiz de errado? O que foi que eu fiz comigo?”.

E ai… pessoas entrando… eu reconhecia todo mundo que passava. Juro! Dorme, acorda, “Porque tanta gente está vindo me ver? Eu acho que eu vou morrer!”.

Os médicos entravam e ficavam passando uma caneta na frente da minha cara. Eu não lembro, mas minha mãe conta que eles falavam: “Põe a mão no nariz”, eu punha na orelha; “põe a mão na boca”, e eu punha no olho. Tudo errado!

Eu pensava: “Não tô conseguindo falar… deve ser os remédios”.

Eu lembro que a minha tia me perguntou se eu me lembrava da minha prima a Camila. É claro que eu sabia que era a Camila!!! Mas eu só consegui dizer: “C….ca…”.

Eu só dava resposta cretina, sem censura total, para as perguntas que me faziam. “Gostou do cabelo?”, eu balançava a cabeça querendo dizer “Não!”… “Você acha que eu emagreci?”, eu balançava a cabeça.

Eu comecei a comer. Eu comia sopinha, danone, suco… a minha mãe dava, as amigas davam, e a sogra trouxe um bolo de cenoura que eu amo!!!! Eu comi, mas a minha voz não saía.

Eu sempre fui mandona, (eu assumo!) e no hospital era assim, comecei a “dar ordens”.

A Dani veio e fala, fala e fala… e eu: “VAZA!”.

Eu via meu pai e meu namorado lá, o dia inteiro, “Pô… tem que ir para casa… comer… trabalhar…”, mas só consegui falar: “VAZA!”.

 

 

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O Bolo da Eliana!!! 😉

 

Youtube: Acordando para a NOVA realidade!! _ https://youtu.be/1-vTWGIhdkE
Instagram: avencerblog

Eu lembro disso

Oi, eu sou Giuliana, tenho 31 anos, sou publicitária (não gosto deste nome) sou mesmo “design thinker”, ou seja, resolvo problemas. Eu gosto muito de viajar. Eu passei um ano viajando pelo mundo inteiro mochilando, em 2011. Conheci lugares incríveis, vivi experiências inigualáveis, fiz amigos de coração.

No ano passado, em fevereiro de 2016, eu tive um acidente que mudou a minha vida inteira, virando tudo de cabeça para baixo. Eu tive um AVC. Para quem não sabe, é um acidente vascular cerebral.

No carnaval em Ibiúna com amigos, eu estava fazendo wakeboard na represa. Eu cai. Senti uma dorzinha de cabeça, mas continuei fazendo. A dor de cabeça continuava, eu pensei que era o sol que estava pegando, pus um boné e tomei água.

Fomos todos dar uma volta de barco, paramos para dar um mergulho, eu cai na água e comecei a ver estrelinhas, pontinhos brancos. Eu pensei: “Eu tô passando mal, deve ser pressão baixa”. Tomei água, e deitei no barco. Três horas de tortura e eu achei que ia passar. Não passou. :/

Saímos do barco, e fomos para casa, eu e meu namorado num quadriciclo e outros amigos no carro. Dez segundos depois, uma lombada e desmaiei. Eu ainda consegui ver um carro preto e um cara dizendo: “Ei, a moça tá desmaiando!”.

Apaguei mesmo.

A gente ficou parado no caminho. Por sorte, o pai de um amigo veio atrás da gente achando que estávamos perdidos. Não era nada disso.

Me colocam no carro, me levam para a enfermaria, a maca, tiram a roupa de neopreno, o braço direito não mexe, os amigos, o médico, a ambulância, meu namorado do meu lado, a estrada, São Paulo, o hospital. Eu lembro disso.